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quinta-feira, novembro 25, 2004

A banda que não é de Stockton, CA

 pelO Puto 


Foram sem dúvida a banda indie-rock mais influente dos anos 90. Juntamente com os Sebadoh de Lou Barlow, os Pavement fundaram o movimento lo-fi, o qual teve imensos seguidores, apesar deles se afastarem progressivamente dessa estética sonora. Entre 1990 e 1999 editaram 5 álbuns e uma série de singles (algumas vezes nada óbvios) e EPs que ficaram na memória de qualquer fã de rock alternativo que se preze.
O que começou por ser um projecto de Stephen Malkmus e Scott Kannberg (a.k.a. Spiral Stairs), iniciado em finais dos anos 80, evoluiu de tal forma que se tornaram numa banda adorada por milhares, entre fãs e críticos. Nunca conheceram o sucesso a grande escala, não estavam talhados para isso, mas a descendência encarregou-se de espalhar a palavra. Um pouco à semelhança dos Velvet Underground com o disco da banana, que não vendeu muitos exemplares, mas cada comprador formou uma banda.
Após uma série de singles e EPs - compilados em "Westing (By Musket and Sextant)", de 1993 - lançados no início da década passada, editaram o seu primeiro álbum, "Slanted and Enchanted", em 1992, o qual contou com a colaboração do baterista Gary Young. Denotando algumas influências dos Sonic Youth, R. E. M. ou The Fall, dos temas sobressaía uma certa crueza na gravação e doses de distorção - os fundamentos da contra-corrente lo-fi -, bem como a deconstrução do formato canção e as letras carregadas de ironia e inteligência. Apesar disso tudo, a música possui um lado melódico pouco ortodoxo mas apelativo, e até as desafinações (seriam propositadas?) de Stephen Malkmus conseguem-se inscrever nessa esfera de sons. Não é à toa que este álbum de estreia figure frequentemente nas listas dos melhores discos da música popular.
O segundo disco, "Crooked Rain, Crooked Rain" (1994), alargou-lhes a base de fãs, muito à custa de alguns singles orelhudos (gosto desta palavra, que querem?), e foi o primeiro em que os Pavement se assumiram como quinteto, como banda em pleno, com a adição de Mark Ibold no baixo, de Steve West na bateria, de Bob Nastanovich na segunda bateria, percussões, teclados e gritos. O som estava nitidamente mais polido, revelava uma certa anglofilia, um gosto pela pop suja, e isso reflectiu-se no reconhecimento do público de cultos, principalmente do britânico, o sítio onde eles sempre tiveram mais sucesso.
Quando tudo apontava que iriam passar para o mainstream, lançam, em 1995, "Woowee Zowee", provavelmente o seu álbum mais bizarro e ecléctico. Elementos de country, jazz, punk, folk e até alguma electrónica são injectados na sua música, criando um conjunto bastante alargado de direcções musicais, mas sem nunca perder algo que os caracteriza que não sei definir - um som "Pavementístico".
O álbum seguinte, "Brighten the Corners" (1997), revela uma tendência mais rock, mais coesa, talvez mais acessível e aproximada a "Crooked Rain...", mas nunca abdica da complexidade da escrita de Stephen Malkmus nem da fragmentação frequente das canções. Produziu singles como "Stereo" e "Shady Lane", este último um hit na Ritmin (lembram-se?).
Em 1999 editam aquele que seria o último álbum, "Terror Twilight", e o único que contou com um produtor exterior à banda, Nigel Godrich (Beck, Radiohead). Este disco, integralmente composto por SM, é provavelmente o disco mais maduro, mais polido e mais sereno, e o formato canção é assumido plenamente em alguns temas. O sentido melódico é maior que nunca, fazendo deste registo uma belíssima despedida.
Todos os seus membros seguiram carreiras distintas, sendo de destacar as actividades dos seus membros fundadores - Stephen Malkmus and The Jicks, e Spiral Stairs com os Preston School of Industry.
Esta banda não é de Stockton, CA, mas do mundo inteiro, e minha também. Obrigado!
http://www.matadorrecords.com/pavement/
http://digilander.libero.it/jenkins78/links.html

3 Comments:

Blogger sandra disse...

:)

http://pedacosdenada.blogspot.com/

9/12/04 10:10 da tarde  
Blogger roque disse...

Andei uns quantos anos à procura do Terror Twilight por causa de um "Cream of Gold"... ainda figura como um dos meus albuns preferidos... gostei bastante da "review"(que queres gosto deste termo).

Um abraço.

6/5/05 6:34 da tarde  
Anonymous Joana disse...

Oh...saudades da Ritmin...quem diria que algum dia isto me poderia acontecer...

29/9/06 11:11 da manhã  

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