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terça-feira, abril 17, 2007

Arcade Fire - Neon Bible (2007)

 pelO Puto 



O caso do sucesso dos Arcade Fire reflecte também o sucesso da divulgação de música via internet. Pelas comunidades de cibernautas, a disseminação do culto foi crescente e foi um dos casos pioneiros de êxito das novas tecnologias. “Funeral”, o álbum de estreia, foi lançado em Setembro de 2004 e foi sendo conhecido por um número crescente de pessoas. Tal justificou posteriores edições em vários pontos do mundo nos inícios de 2005, tornando mais acessível o formato físico do disco. Algo arrebatador prendia o ouvinte à música do colectivo canadiano, quer seja pelo produto de valor acrescentado de influências como David Bowie, Talking Heads ou a vaga pós-punk de inícios dos anos 80, quer seja pelo resultado repleto de paixão e inocência. Complementarmente, como se pôde verificar no concerto em Paredes de Coura (2005), actuam de forma explosiva e projectam na audiência uma energia empática que fortalece os laços entre os intervenientes. Por tal motivo, havia grandes expectativas em relação ao segundo álbum.
Poder-se-ia esperar que o sucessor fosse assombrado por um comodismo, ou então por alguma cedência às pressões do sucesso e do estatuto, mas felizmente não foi isso que sucedeu. Os meios colocados à disposição do grupo redundaram numa concepção e produção que exponenciou a grandiloquência embrionária presente em “Funeral”. A paixão está lá, mas agora evoluiu-se para algo mais cerebral. Os elementos acrescentados, desde a multiplicidade rítmica ao estado sublime dos arranjos, passando pelo gospel, adensam o som de tal forma que se tange uma espécie de êxtase. Compare-se a versão original do tema “No Cars Go”, incluído no EP homónimo (já por si bom), com a abordagem aqui incluída e repare-se no notável melhoramento. Mesmo quando a voz de Win Butler parece afogar-se na sinfonia, sente-se que esse afundamento é doce, o que parece valorizar o seu esforço em prol da exposição da sua fragilidade. Destaco a intensidade dos temas, a assertividade ingénua das letras e o jogo natural entre a simplicidade e a complexidade. O que se perdeu em inocência ganhou-se em sumptuosidade.
Não se poderá nem se deverá fazer, para já, uma comparação directa dos dois trabalhos, pois é indispensável uma maturação do segundo, mas quase que posso assegurar que os Arcade Fire têm lugar marcado na história da música popular.
Nota: segundo as tabelas oficiais, “Neon Bible” ocupou os lugares cimeiros dos tops de vendas um pouco por todo o lado, incluindo uma segunda posição cá em Portugal.
Sítio oficial dos Arcade Fire
Arcade Fire no MySpace
Videoclip de "Intervention"
Amostras: Keep The Car Running | Windowsill | No Cars Go

7 Comments:

Blogger Shumway disse...

Como é que se segue um clássico?
Com outro...
Apesar de ser mais sombrio, musicalmente ainda o acho mais forte, mais preenchido.
Será concerteza um dos discos de 2007.
Abraço

17/4/07 1:02 da manhã  
Anonymous Lizzie disse...

Vim a este blog por acaso, e fiquei muito surpreendida. Parabéns pelo excelente trabalho que aqui tem feito.
"Neon Bible" consegue continuar o percurso de "Funeral", escolhendo outra estrada, consegue por os Arcade Fire no lugar que mereceram logo com "Funeral", mas que não lhe foi dado pela desconfiança de uma banda acabada de explodir. Funeral apanhou-me desprevenida, obrigou-me a ouvir o álbum vezes sem conta, como se duvidasse dos meus ouvidos. Ao ouvir pela primeira vez Neon Bible detive-me na impressão de estar a ouvir música de um tempo que já não existe, de um tempo do qual só sobram os discos vynil carregados de pó. Merecem agora os Arcade Fire uma declaração de redenção de quem atribuiu o sucesso de Funeral a uma "sorte de principiantes provavelmente sem seguimento".
Cumprimentos.

17/4/07 1:45 da tarde  
Blogger O Tipo disse...

Não, este não é, nem de perto, nem de longe, um dos álbuns que levaria para uma ilha deserta...

17/4/07 2:22 da tarde  
Blogger M.A. disse...

Como já deves saber, não faço parte do grupo daqueles a quem "Neon Bible" satisfez plenamente.
O disco até tem bons momentos ("Keep the car running", "Antichrist television blues") mas tem outros de uma grandiloquência balofa ("Intevention" chega mesmo a ser irritante).

Abraço

P.S.: Ouvi dizer que vais estar por cá no próximo fds, é verdade?
Diz qq coisa.

17/4/07 7:58 da tarde  
Blogger joao disse...

infelizmente nunca vi ao vivo. mas isso vai ja mudar nas proximas semanas

19/4/07 4:51 da manhã  
Blogger joao disse...

que estupidez. tou e a falar dos clap your hands and say yeah. o caso de sucesso desses e que e o sucesso da divulgacao de musica via internet

19/4/07 4:53 da manhã  
Blogger kimikkal disse...

Gosto mas falta-lhe a capacidade de surpreender que o disco anterior tinha.

O caminho foi traçado por Funeral e agora que entrámos na caravana Arcade é só segui-los.

Let's keep on movin'!

(Esperemos que não percam o Norte...)

23/4/07 10:01 da tarde  

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