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sábado, novembro 25, 2006

Oscar Wilde no Festival Para Gente Sentada

 pelO Totó 



Oscar Wilde vive e esteve ontem na Feira na figura de Adam Green. Mais do que alguma parecença física, Green confunde-nos com as mesma tiradas espirituosas, o mesmo humor sarcástico e a mesma insolência que só é permitida aos tolos ou aos génios. A meia dúzia de acordes que saca da guitarra acústica são o suporte para uma voz poderosa com uma dicção perfeita e para as letras escatológicas que vai entoando de forma melodiosa. Como performer, é desconcertante - no intervalo entre músicas vai lendo aleatoriamente frases em português tiradas de um guia de conversação, às vezes não resiste às suas próprias letras e ri-se a meio da música, troteia uma música pedida por alguém na plateia até se lembrar da letra e da melodia. Sai do palco como um fauno dançando pela floresta e a plateia vai sorridente para casa.

Fixem este nome - FINK. Dele só sabia que tinha assinado pela Ninja Tune, uma editora pouco dada a sons acústicos. Fink toca uma espécie de Jeff Buckley meets Morphine, com uma voz saída das entranhas do Mississipi. Tem uma técnica no mínimo invulgar de tocar guitarra e é acompanhado por bateria e baixo acústico. O álbum de estreia chama-se "Biscuits For Breakfast". Façam um favor a vocês próprios e ouçam-no.

Coube a Stuarte Robertson abrir a noite sozinho ao piano. Numa noite de temporal a sua música soube como uma chávena de chocolate quente.

O Festival para gente sentada vai na terceira edição e, apesar do sucesso de Devendra Banhart e Sufjan Stevens na primeira edição e de Patrick Wolf na segunda, parece continuar a ser um segredo de poucos. Ontem, talvez por efeito da tempestade, não encheu. O Cineteatro António Lamoso tem uma sala bonita, com boa acústica e um ambiente intimista, em que por vezes nos sentimos como se estivéssemos na nossa sala a ouvir um amigo tocar. Apenas uma nota de desagrado à organização - vai sendo recorrente em festivais que duram mais do que um dia carimbar a mão ou colocar uma pulseira tipo sr. do Bonfim nos espectadores - arranjem outra solução por favor!

Hoje - Sparklehorse + Emiliana Torrini + Ed Hancourt.

3 Comments:

Blogger El Mono disse...

A Emiliana constipou-se e não apareceu...

26/11/06 2:33 da manhã  
Blogger Invisible Girl disse...

Pena ficar-me um pouco fora de mão :( Mas torna-se, a cada ano que passa, um festival obrigatório.
Obrigada pela dica do Fink, fiquei com muita curiosidade de ouvir heranças dos meus queridos Morphine.

26/11/06 9:08 da manhã  
Blogger lux disse...

Fink foi, de faxto, o concerto da noite.
Quanto ao sarcasmo e azedume de Adam Green, no meio dos redbricks que caem da vagina da Carolina, do Green se querer matar porque o Governo mente (e que semelhança senti com esta declaração) ou um estranho "estou grávida" e "vinho branco, i like it", parece-me que o concerto ficou muito aquém dO Adam Green. Não sei se foi do vinho, se do que foi, ele esqueceu-se de músicas, de acordes, com uns quantos pregos pelo meio.
Talvez faça pare da mise en scène, talvez não.
Mas podia, e devia, ter sido musicalmente melhor, considerando ser a sua primeira passagem por terras lusas.

27/11/06 2:57 da tarde  

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