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segunda-feira, novembro 17, 2008

Black Kids - Party Traumatic (2008)

 pelO Puto 



Formados há apenas dois anos, os Black Kids já deram que falar. Começaram por disponibilizar gratuitamente no MySpace o seu EP de estreia, “Wizard of Ahhhs”, constituído por 4 demos, obtendo uma crítica muito favorável por parte da Pitchfork e um número crescente de bloggers e fãs. Processaram 50 anos de música pop e conceberam 4 temas de forte apelo, pelo que não é para admirar o culto em volta deles gerado, especialmente no Reino Unido.
O álbum, editado em Julho passado, funciona como um prolongamento do trabalho em EP, utilizando a mesma fórmula mas com uma produção bem polida, a cargo de Bernard Butler. O ex-Suede compartimenta os sons, tal como o tinha feito, já este ano, com os Sons & Daughters, o que pode jogar contra o resultado final, caso apreciemos um som mais sujo, entrelaçado, uníssono ou homogéneo. A meu ver, isto só por si não justifica uma classificação vergonhosa por parte do site que tanto os elogiou, apenas ilustrada com uma imagem de dois cães e desprovida de apreciação verbal (preguiça?). Como é possível zombar de um disco que concilia tão bem e de modo tão fresco as canções da Motown, as girls groups, o funk, o disco, a synth-pop, o pós-punk, o brit pop e o indie de agora e outrora? O groove e a densidade presentes nestas dez composições-potenciais-singles são mais que suficientes para captar a atenção. A associação de guitarras aguçadas, sintetizadores new wave omnipresentes e ritmos possantes podem não ser o veículo óbvio para as letras desencantadas, mas a eficácia do resultado solidifica este antagonismo. Reggie Youngblood, num registo vocal que lembra Robert Smith ou Lloyd Cole, fala de problemas, experiências e dilemas de uma juventude que vive rápida e inconsequentemente, com uma ironia que irrompe em versos e refrões catchy complementados pelos deliciosos coros das meninas dos teclados.
É certo que não são a oitava maravilha, mas “Partie Traumatic” foi um dos meus discos do Verão que não chegou a acontecer.
Sítio oficial dos Black Kids
Black Kids no MySpace
Videoclip de "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance with You"
Videoclip de "Hurricane Jane"
Videoclip de "Look At Me (When I Rock Wichoo)"
Amostras: Hit The Heartbrakes | I'm Making Eyes At You | I've Underestimated My Charm (Again)

7 Comments:

Blogger Irregular disse...

Se um ex-Suede esteve envolvido no processo, então a qualidade está garantida. :)

17/11/08 8:07 da tarde  
Blogger Vieille Canaille disse...

Ouvi o álbum e achei interessante. (Para o comentário anterior) Só é pena o Brett Anderson ter perdido a voz por volta de 1998... a partir daí foi só desgraça!

18/11/08 1:19 da manhã  
Blogger M.A. disse...

Normalmente não partilho de uma boa parte das opiniões do Pitchfork (tudo o que seja britânico e já tenha flirtado com o sucesso, leva por tabela). Mas confesso que até achei alguma piada à apreciação ao disco dos Black Kids, na minha opinião das coisinhas mais inócuas dos últimos tempos.
Ainda em relação ao 1.º comentário, gostava de acrescentar que não me parece que o envolvimento de Bernard Butler possa hoje ser entendido como garantia de qualidade.

Abraço

18/11/08 11:05 da tarde  
Blogger O Puto disse...

M. A., os Black Kids, apesar de terem flirtado com o sucesso, não são britânicos, pois nasceram na solarenga Florida. Quanto à/ao Pitchfork, que no início era um veículo de opinião e divulgação independente, transformou-se, em parte, num expositório de caprichos de um bando de miúdos indie crescidos, que, com este tipo de atitude, disfarçada de irreverência, colocam em causa a credibilidade e coerência do site. Não deixa, contudo, de ser uma boa fonte de informação. Abraço!

19/11/08 10:31 da manhã  
Blogger O Tipo disse...

Apesar de estar uns furos abaixo do EP (que prometeu muito), não deixa de ser um bom álbum de Verão...já agora, quanto ao Pitchfork, para fazerem críticas a deitar abaixo daquela forma (o que já tinha acontecido no caso dos Killers), mais valia estarem quietinhos...mas como disseste, não deixa de ser uma boa fonte de informação, tem é de consumir com as devidas reservas

19/11/08 10:45 da manhã  
Blogger M.A. disse...

Bem sei que não são britânicos, e não era a eles que me referia com aquela observação, mas sim a todas as bandas british que o/a Pitchfork tanto gosta de maltratar. Uma vezes com justiça, outras nem tanto. Talvez não tenha sido muito claro, daí o mal-entendido.
Abraço!

19/11/08 7:18 da tarde  
Blogger Strumer disse...

O EP elevou as expectativas para este album mas acho que acabou por ficar uns furos abaixo. Músicas demasiado "catchy" que encurtam o prazo de validade do album. No entanto, sem dúvida com grandes singles...

24/11/08 2:20 da tarde  

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