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terça-feira, janeiro 31, 2006

Flexitones - Joyrider (2005)

 pelO Puto 



Ouvindo parte do álbum de estreia dos Flexitones um nome vem-nos à cabeça: Propellerheads. Não é de estranhar, pois metade da dupla é Will White, senhor responsável pela bateria daqueles. O outro membro é Merv Pepper dos Eat Static. Porém aqui reside muito mais que o moribundo (se é que já não morreu) big beat. "Para além" talvez seja a expressão mais apropriada.
O primeiro tema inspira-se no jazz mas logo a seguir é-nos servido um que está próximo das batidas musculadas de "Decksanddrumsandrockandroll". A partir daí é um desfile rico em samples cinematográficos e televisivos, sons criteriosamente seleccionados, scratches, melodias irresistíveis, algumas vozes doces, tudo cuidadosamente articulado, com felizes incursões no jazz, no lounge (sem ser daquele chatinho do café não-sei-das-quantas), na música latina, no dub, no hip-hop e nas bandas sonoras (como não podia deixar de ser). Largo espectro, portanto.
Se os Propellerheads ainda existissem, talvez fosse este um dos melhores caminhos que poderiam ter seguido.
Sítio da editora Twisted
Amostras: Drop of a dime | Cafe Spring | Transpant My Head

Esta semana a acariciar os ouvidos... do Puto

 pelO Puto 

- Ed Harcourt: Here Be Monsters
- Jens Lekman: When I Said I Wanted To Be Your Dog
- Pop Dell'Arte: Poplastik 1985-2005
- Richard Swift: The Novelist/Walking Without Effort

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Amadeus

 pelO Puto 



Faz hoje 250 anos que nasceu o génio a quem o compatriota Falco dedicou um tema e que foi alvo de um biopic por Milos Forman. Apesar de considerar Bach um dos pais da música popular, é incontornável a influência de Mozart na estrutura moderna de composição e na forma como conseguiu incutir simplicidade a um género tão complexo. Prolífero e versátil, a sua obra e o seu método (se é que o tinha) vive um pouco em toda a música que dependa da melodia.

terça-feira, janeiro 24, 2006

My Morning Jacket - Z (2005)

 pelO Puto 



O 4º álbum desta banda oriunda do estado dos frangos do KFC é uma delícia de se lamber os dedos. Oscila entre o country, o psicadelismo, o blues, o rock, a pop e o slowcore, piscando um olho ao mainstream e outro ao underground, pisando com um pé a ruralidade e com outro a cidade, sejam em tom depressivo ou não. O som é transversal a várias décadas e as influências dispersam-se entre o imaginário norte-americano, o que o torna um sério candidato a clássico contemporâneo. As melodias densas mas simples acompanham com mestria a voz pejada de emoção de Jim James, ora segura ora falsamente vacilante. Resulta quase sempre numa beleza quase arrepiante, consequência de um perfeccionismo inconsciente.
Este disco não merece um Z mas sim um A.
Sítio oficial dos My Morning Jacket
Amostras: It Beats For You | Gideon | Knot Comes Loose

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Intercidades

 pelO Puto 



A animação reinou no passado sábado, muito por conta dos "Tree-ettes" que alegremente dançaram alguns destes temas (são o grupo no centro da foto à direita). Muito obrigado aos amigos que apareceram no Clandestino - alguns habituais outros nem por isso - e aos restantes que apreciaram a música.
Nota: penso que foi a primeira vez que uma sessão Tree Eléctrico foi anunciada num jornal, mais propriamente no "Clip", suplemento de cultura do Diário de Aveiro.

Sound and vision

 pelO Puto 

Apresento 2 listas com as preferências de dois bloggers no que diz respeito a videoclips de 2005. Ambos contêm os links para visualizarem as escolhas e o segundo publica uma data de informação sobre as obras e seus autores. Ao pé destas listas a secção "Teleputo e Videotipo" parece tão insignificante... Enjoy!
- Top 50 Docopenhagen;
- Top 65 m3 online.
Adenda (dica d'O Tipo): aqui podem ver vídeos de vários realizadores conhecidos.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Pop Dell’Arte – POPlastik 1985-2005 (2006)

 pelO Tipo 



“POPlastik 1985-2005” é o disco de súmula de 20 anos de carreira de um dos mais bem conseguidos e transgressores projectos pop, liderados pelo carismático João Peste. Filhos da revolução da música moderna portuguesa nos anos 80, os Pop Dell’Arte destacaram-se pelo cruzamento entre uma pop sofisticada, com a performance artística, o cabaret fumarento e as vielas sujas de uma cidade longínqua e onírica.
Depois de 2 concertos recentes, com a apresentação de alguns inéditos, surge esta colectânea (com 3 inéditos, "Stranger than summertime", "(J’ai oublié) all my life" e "No way back", versão do original de Adonis), aumentando a esperança de um disco de originais para breve. Destaco (e este é um exercício difícil, o de escolher apenas 3 músicas) “So Goodnight”, “O Amor é... um Gajo Estranho” e o belíssimo “Stranger than Summertime”.
Arriba! Avanti! Pop Dell’Arte!
www.popdellarte.net

Esta semana a acariciar os ouvidos... do Puto

 pelO Puto 

- Electrelane: Axes
- Kanye West: Late Registration
- My Morning Jacket: Z
- The Strokes: First Impressions Of Earth

ESTA SEMANA A ACARICIAR OS OUVIDOS... do Tipo

 pelO Tipo 

- Arthur Russell: The World of Arthur Russell
- Anthony Hamilton: Ain't Nobody Worryin'
- Pop Dell'Arte: POPlastik 1985-2005
- John Coltrane: Ascension

terça-feira, janeiro 17, 2006

Primeira emissão do ano

 pelO Puto 



A primeira sessão Tree Eléctrico do novo ano foi muito animada, com a presença de imensos amigos e conhecidos, incluindo pessoal que estudou em Vila Real e que já não via há imenso tempo. O Radio esteve repleto, e notei até a presença de algumas vedetas. Obrigado a todos e um especial agradecimento à Hebe, que se deslocou 300 km para visitar a bela e saudosa Invicta. Os temas que passei estão aqui.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Customers who bought this album also bought...

 pelO Totó 



Existe um mito urbano que explica que qualquer pessoa consegue, em cinco passos, chegar à fala com qualquer outra pessoa do planeta. Explicando melhor: entre os meus conhecidos existe alguém que conhece outra pessoa, que conhece alguém [...] que conhece O Thurston Moore dos Sonic Youth. A explicação é matemática: segundo um site que consultei, a população mundial é (era) 6.490.808.708; se cada um de nós se relacionar com 100 pessoas, entre família, amigos e conhecidos, no final de cinco passos teremos 10.000.000.000 (100x100x100x100x100), um número de pessoas bastante superior ao da população mundial. No fundo trata-se de uma variação moderna da lenda do jogo de xadrez entre o Pastor e o Rei, em que o Pastor, depois de ter vencido a partida, apenas pede ao Rei um grão de trigo que coloca numa das casas do tabuleiro e que o Rei duplique sucessivamente o nº de grãos de trigo nas restantes 63 casas.
Aplicando um raciocínio similar no site da Amazon, seguindo a indicação "Customers who bought this album also bought", seria de esperar que conseguiríamos relacionar quaisquer duas bandas por muito diferente que seja a sonoridade das duas. Tal não acontece. Quem consome um género particular, regra geral não se aventura por géneros muito diferentes e as indicações de compras formam um circuito fechado. A excepção acontece com bandas fora do mainstream que conseguem um grande sucesso comercial, impulsionados pela crítica ou por prestações memoráveis em grandes festivais, alargando assim a base de fãs a apreciadores de outros tipos de música. Usando os Arcade Fire como exemplo, partimos do aclamado "Funeral" e chegamos ao "Songs About Jane", dos Maroon 5. Basta seguirem as indicações do site: Arcade Fire (Funeral) - White Stripes (Get Behind Me Satan) - AudioSlave (Out Of Wxile) - Foo Fighters (In Your Honor) - Green Day (American Idiot) - Maroon 5 (Songs About Jane). Da excelência à mediocridade em 5 passos!

ESTA SEMANA A ACARICIAR OS OUVIDOS... do Tipo

 pelO Tipo 

- Treva Whateva: Music's Made of Memories
- Kano: Home Sweet Home
- The Five Corners Quintet: Chasin' the Jazz Gone By
- Who Made Who: Who Made Who

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Broadcast - Tender Buttons (2005)

 pelO Puto 


Nunca prestei muita atenção aos Broadcast. Sempre os vi como uma espécie de discípulos dos Stereolab, e o facto de terem editado os primeiros singles na Duphonic também contribuiu para essa conotação. Mas não só. As fontes inspiradoras - o kraut-rock, a chanson française, Burt Bacharach, bandas sonoras - e os meios utilizados - sintetizadores vintage, arranjos elaborados - colocam-nos na mesma prateleira. Apesar disso, sempre compuseram temas interessantes e algumas pérolas pop algo anacrónicas.
O terceiro álbum veio baralhar-me um pouco esse conceito. Afastaram-se radicalmente da sonoridade a que nos vinham habituado, e agora, reduzidos a duo (Trish Keenan e James Cargill), é caso para se dizer que menos é mais. O esqueleto sonoro, composto por voz, guitarra, teclados e programações, foi condensado ao mínimo, mas as composições não se ressentiram. A doçura da voz de Trish (aqui num registo mais versátil) e as linhas frágeis de guitarra contrastam nitidamente com a sujidade electrónica agora imposta, e as batidas secas e programadas muitas vezes erradicam as alusões aos anos 60 (excepção feita ao delicioso "Tears In The Typing Pool"), sendo mais apropriado falar dos anos 80 para cima. A pop não desapareceu, apenas se redefiniu, e aqui vem impregnada de experimentalismo. Não será de todo descabido dizer que os Broadcast estão algures entre o espaço (para alguns um abismo) que separa os Stereolab dos Ladytron e dos Add N To (X).
Uma boa surpresa de 2005 descoberta em 2006.
Site oficial dos Broadcast
Amostras: Black Cat | America's Boy | Tears In The Typing Pool