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segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Vícios... do Puto

 pelO Puto 

Recebi este "convite" da Extravaganza e da Rosedew, o qual possui este regulamento:
Cada blogger participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar conhecimento dessas particularidades ao público, tem de escolher cinco outros bloggers para entrarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog.
Ao desafio, e assim de repente, respondo:
- Música (ouvir, comprar, sacar, passar, cantar, assobiar, falar sobre, etc.), que é um vício do catano!
- Adiar o sono até ao limite do suportável (“i’ll sleep when i’m dead”).
- Perfeccionismo selectivo, quase compulsivo, e que por vezes é inconveniente.
- Conciliar uma condução desembaraçada com as regras de trânsito.
- Natação (este não sei bem se é vício ou disciplina auto-imposta).
Convoco os primeiros 5 bloggers que lerem este post.

The Strokes - First Impressions Of Earth (2006)

 pelO Puto 



Os Strokes surpreenderam em 2001 com "Is This It", não propriamente pela originalidade mas mais pela forma como se apoderaram de fórmulas já existentes, acrescentando-lhes alguma contemporaneidade e uma frescura disfarçada de urgência. Essa abordagem falsamente ingénua transformou os nova-iorquinos numa das bandas nucleares da nova vaga do rock, se é que assim se pode chamar.
O segundo e difícil disco foi mesmo isso: difícil, mas de audição, aceitação e consagração. A técnica estava mais apurada, porém isso não compensou a desilusão de ouvir mais do mesmo com menos empenho.
Passados 2 anos chega o disco da (suposta) mudança, a julgar pelo que o single de apresentação ("Juicebox") profetizava. Venho a constatar que não é bem assim.
O álbum começa bem, com um punhado de temas vigorosos, funcionando como síntese entre a atitude de "Is This It" e a interpretação e composição mais elaboradas, exploradas sem grande sucesso no segundo longa duração. Até a voz de Casablancas está claramente mais trabalhada e versátil, o que à partida seria algo bastante positivo. Porém, ao percorrer o alinhamento, constata-se que nem tudo corre bem. Saliento alguns excessos: o virtuosismo das guitarras nem sempre é algo bom, a aproximação desnecessária a um qualquer tema mediano dos Pogues, algumas tentativas forçadas de se equiparar ao registo de estreia. Existem algumas boas excepções (o inesperado "Ask Me Anything"), mas o arrastamento do próprio som na segunda metade leva-me a concluir que o álbum parece longo demais. Felizmente termina bem, com dois temas entusiasmantes.
Não é um mau álbum, longe disso, mas tinha esperança que me surpreendessem. Terei que esperar pelo próximo?
Sítio oficial dos Strokes
Amostras: You Only Live Once | Ask Me Anything | Evening Sun

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Bruno E – Alma Sessions (2005)

 pelO Tipo 


“Alma Sessions” é o 2º álbum do músico, produtor e DJ brasileiro Bruno E. Tendo o jazz como ponto de partida, Bruno E constrói um conjunto de melodias feitas dos ritmos quentes da bossa nova, soul e electrónicas dançaveis, acompanhadas por um conjunto de vozes e músicos convidados. Música para nos acompanhar em dias solarengos. Destaco “Alma” (com o cantor nigeriano Xantoné Blacq), “Mister Modernismo” (poema de Tom Zé) e “Feel” (com Sarah Anne Webb, vocalista dos D-Influence). A ouvir também “Dado”, tema que compôs para a colectânea “Giles Peterson in Brazil”.
www.trama.com.br/brunoe/almasessions/
Amostras: Site Alma Sessions | Gilles Peterson in Brazil

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Avei-rock...

 pelO Puto 


... e pop e electrónica & more foi o que entrou pelos ouvidos adentro do pessoal que apareceu no passado sábado no Clandestino. Obrigado aos que apreciaram estas músicas e ao casal Clandestino (J+P), que me ofereceu uma t-shirt com o cartaz dessa noite estampado (como ilustra a foto da esquerda).

Kraftstreichinstrumente

 pelO Puto 



Alexander Balanescu é um violinista apaixonado pela música que compõe e pela música que interpreta. Pude comprovar isso na passada sexta, quando ele e os restantes membros da actual formação do Balanescu Quartet subiram ao palco da sala 2 da Casa da Música, perto da meia-noite. Em tom morno, Alexander Balanescu, com o seu inseparável chapéu, foi apresentando as peças que iriam interpretar, com uma breve descrição ou enquadramento.
A primeira parte foi preenchida com alguns excertos da banda sonora do filme italiano "Il Partigiano Johnny" (realizado por Guido Chiesa), onde a escola Michael Nyman está moderadamente presente com alguns padrões repetitivos, aos quais o romeno acrescenta cruzamentos e acrobacias, concedendo à composição uma componente visual muito forte.
Em seguida os momentos mais ansiados: as versões para 3 temas dos Kraftwerk. "The Robots", "Autobahn" e "Computer Love" foram magistralmente interpretados (até o som dos automóveis em "Autobahn" foi simulado pela fricção das cordas) com uma precisão milimétrica. Passada a embriaguez de ouvir os temas dos alemães revistos por um quarteto, resta pelo menos uma certeza: a música dos Kraftwerk é sublime e transversal.
Na terceira tranche foi abordado o álbum "Luminitza", um álbum que conjuga de forma feliz o experimentalismo e a veia minimalista.
No encore ainda nos presentearam com "The Model" e "The Pocket Calculator", para gáudio dos presentes.
Como referi no início, tenho que apontar a paixão patente no rosto e nos gestos dos músicos (principalmente em Balanescu), o que não desvirtuou nem um pouco a destreza técnica. Essa paixão emanou para o público.

sábado, fevereiro 18, 2006

Ainda mexe! - Totó no concerto dos Bauhaus

 pelO Totó 



Em 1990 estava na casa de banho do Coliseu do Porto quando Peter Murphy começou a tocar. Era o primeiro concerto a que eu assistia, e em vez de guardar na memória o êxtase duma iniciação, ali estava eu a lavar as mãos com sabão macaco. Ontem, quando os Bauhaus subiram ao palco, estava a comer uma tosta mista no café Tijuca (obrigado rosedew), mesmo em frente ao Coliseu. O ridículo continua a acompanhar-me. O meu sentimento nesse concerto deveria ser o mesmo da maior parte das pessoas que lá estavam: alguma frustração por não ter tido a oportunidade de ver os Bauhaus ao vivo, um fascínio por aquela figura esguia e vampírica e uma esperança de que Peter Murphy não renegasse completamente o seu passado e tocasse algumas músicas dos Bauhaus. Não me lembro se tocou ou não, de qualquer modo o álbum "Deep", que deu origem à digressão, está recheado de grandes músicas e é para mim o melhor da carreira a solo de Peter Murphy. Não tenho assistido aos regressos das bandas míticas dos anos 80/90 com medo de turvar as memórias de alguns grandes concertos. Durante a Expo98 vi o vocalista dos Alphaville quase em estado de decomposição a cantar o "Forever Young" e traumatizou-me até agora. Ontem ia preparado para tudo. Mesmo que o concerto fosse muito mau achei que seria no mínimo uma experiência interessante ver góticos militantes tirarem as rendas da naftalina, misturados com ex-góticos deprimidos reciclados (como eu) e pessoas que não eram nascidas quando os Bauhaus terminaram em 1983. Rapidamente os Bauhaus acabaram com o meu cinismo. Assisti incrédulo e rendido a uma banda em grande forma, com uma entrega total e um som potentíssimo. Peter Murphy, apesar de um pouco de peso a mais e cabelo a menos, continua a ser um performer cativante. Movimenta-se em palco com um magnetismo teatral, usa o guarda-roupa e os efeitos das luzes para criar momentos simples mas originais: a sua imagem projectada numa lua desenhada por um holofote ou o feixe horizontal de luz que lhe atravessava a face na escuridão são exemplos. Depois houve um momento genial: ao fim de uma hora de concerto a banda pára de tocar e permanece imóvel durante largos minutos. O efeito provocado pelo silêncio é desconcertante e conquista definitivamente o público. Foram 2 horas de música que souberam a pouco. Um concerto memorável - tenho uma cãibra numa perna que o prova!
Nota 1: se alguém tiver fotos do concerto envie por favor para um dos mails deste blog para ilustrar o post.
Nota 2: Os bilhetes dos concertos costumavam ser pequenas obras de arte, pedia-se aos porteiros para rasgarem o mínimo possível dos bilhetes que se coleccionavam como troféus de grandes noites. Hoje os ingressos para os concertos assemelham-se aos bilhetes de comboio ou do cinema. É triste considerando a pequena fortuna que se paga!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

ESTA SEMANA A ACARICIAR OS OUVIDOS... do Tipo

 pelO Tipo 

- The Black Angels: The Black Angels EP
- New York Noise vol.1
- The National: Alligator
- Ricardo Villalobos: Achso (EP)

Esta semana a acariciar os ouvidos... do Puto

 pelO Puto 

- Balanescu Quartet: Possessed
- Coldcut: Sound Mirrors
- Tortoise & Bonnie 'Prince' Billy: The Brave And The Bold
- Who Made Who: Who Made Who

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Olhó Videoclip Fresquinho!

 pelO Tipo 

A secção "Teleputo e Vídeotipo" foi actualizada com mais um videoclip:
- Kanye West: Touch the Sky

Tom Vek - We Have Sound (2005)

 pelO Puto 



Jovem promissor, one-man band, apologista do DIY e fã do lo-fi e das electrónicas são apenas alguns dos atributos do inglês Tom Vek. Fazendo lembrar Beck dos primeiros tempos (até na aparência), usou as mesmas armas que o norte-americano para conceber o seu primeiro álbum. Mescla de forma inteligente e aparentemente artesanal o punk, o indie rock, os ritmos sintéticos dançantes, o funk, o folk e até o jazz, não se destacando de forma evidente nenhum dos géneros. Este conjunto é ressaltado pela sua voz dissonante, e as letras, ora disparatadas ora conscientes, aplicam-se em linhas cativantes. Assemelha-se aqui e ali aos Soul Coughing, ao Beck, aos LCD Soundsystem, entre outros, mas nunca se perde a identidade nem há nenhum mergulho desnecessário em influências.
"We Have Sound" é um disco coeso, curto e viciante, e Tom Vek um talento a acompanhar com atenção.
Sítio oficial de Tom Vek
Amostras: C-C (You Set The Fire In Me) | A Little Word In Your Hear | Nothing But Green Lights

Electrelane - Axes (2005)

 pelO Puto 



As britânicas Electrelane não cantam sob o efeito do TPM, nem sobre relações falhadas, nem sobre vingança, nem sobre o amor enquanto lugar-comum. Não são, portanto, uma típica banda de gajas. Aventuram-se por terrenos dominados pelos homens, como seja o pós-rock, o free jazz, o krautrock e a pop experimental, acrescentando-lhes beleza, sensibilidade, equilíbrio e tenacidade. Dominam com mestria e vigor o som de vários instrumentos, sendo a santíssima trindade (baixo, bateria e guitarra) e o piano denominadores comuns, funcionando em planos diferentes porém conjugantes. Enquanto os primeiros asseguram uma base segura ao som, o piano distingue-se (e de que maneira) pelos acessos de fúria e pelas carícias. Há um sentido de ordem e métrica, mesmo no tema mais experimental ("Business or Otherwise"), e as palavras são quase sempre induzidas precisamente devido à escassez destas. As vozes aqui funcionam quase sempre como instrumentos, seja em coros majestosos, em entoações easy listening ou em simples inflexões. Uma viagem, com comboios ("Gone Darker"), idas a França ("Eight Steps"), planagens e vôos picados.
Álbum emocional mas também visual e matemático, "Axes" atinge um certo expoente feminino na música, no sentido em que o feminino é mãe e mulher, é ternura e força, é sedução e entrega, é cravo e canela, é caminho e perdição.
Sítio oficial das Electrelane
Secção Electrelane no sítio da editora Too Pure
Amostras: If Not Now, When? | Eight Stpes | Atom's Tome

domingo, fevereiro 12, 2006

Music for the masses - Totó no concerto dos DM

 pelO Totó 



O melhor: a versão de Behind the Wheel. Potente e dançável, apenas pecou por ser curta. As músicas cantadas por Martin Gore: conseguiram acalmar o êxtase permanente e as respectivas palminhas e tirar Dave Gahan semi-nu e pré-programado do palco por alguns (escassos) minutos. O Puto ter conseguido, certamente com um esforço sobre-humano, chegar até ao bar e trazer umas cervejas. O Pior (sem qualquer ordem em particular): The Bravery: Os DM apresentam-se nesta digressão com 3 bandas de suporte: Placebo, Franz Ferdinand e estes tristes Bravery. Foi Azar. O som: quem assistiu ao concerto dos Massive Attack no pavilhão Atlântico lembra-se de apanhar com uma barreira sonora asfixiante que fazia arrepiar as entranhas. No concerto dos DM o som, embora competente, chegava de chinelos a meio do pavilhão de tal modo que era possível acompanhar o decorrer do Benfica-União que passava nas televisões dos camarotes. O feedback em algumas músicas também não ajudou. O Público: quando os espectadores começam o concerto em êxtase antes do primeiro acorde é mau sinal. Os DM pediam palminhas e todos batiam, os DM pediam ao público para cantar o refrão e o público cantava. Toda esta emoção 'espontânea' foi programada certamente ao segundo, e não podia ter soado mais artificial. Dave Gahan: Ele é uma mistura de cigano (já ninguém usa aqueles coletes excepto na feira de Carcavelos) com um concorrente do Big Brother, tal é o número de tatuagens no tronco e braços. Dá a voltinha da praxe, tira o colete, a câmara foca o umbigo suado, as suburbanas entram em delírio. Dá uns agudos capazes de partir uma cristaleira mas ninguém pareceu notar. Martin Gore: Todas as grandes duplas de entretenimento têm o palhaço e o coitadinho. Gore faz com prazer o papel de deprimido gótico - que raio de bicho morto era aquele que lhe servia de chapéu? O cenário: Tudo parecia comprado à pressa numa loja chinesa: As luzes que enfeitavam os teclados e que era suposto criarem um ambiente sci-fi, aquela bola com uns painéis de LED's embutidos iguais aos que são usados nos talhos para anunciarem as promoções do dia. As palavras de ordem que iam passando na tal bola: "Love", "Sex", "Pain", "Angel" não primam pela originalidade, mas de qualquer modo conseguiram resistir ao "Salvem os canibais da Nova Guiné" ou "Bush sucks". A iluminação: As lâmpadas florescentes faziam lembrar uma pista de carrinhos de choque. O video wall já foi usado com mais sucesso num concurso da Serenella Andrade.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

ESTA SEMANA A ACARICIAR OS OUVIDOS... do Tipo

 pelO Tipo 

- Ursula Rucker: Ma' at Mama
- Blood on the Wall: Awesomer
- Talib Kweli: Right About Now
- Queens of the Stone Age: Over the Years and Through the Woods